sexta-feira, 1 de junho de 2012

TEATRO: Peça "Arte" premiada internacionalmente no Teatro Leblon - RJ



A amizade instigou e inspirou a autora francesa Yasmina Reza, um dos maiores nomes da dramaturgia contemporânea, a escrever a peça Arte, montada em mais de 30 países. O espetáculo chega agora ao Teatro Leblon, sob a direção de Emílio de Mello. No palco, estão os atores Vladimir Brichta, Marcelo Flores e Claudio Gabriel.
Arte problematiza a amizade a partir da relação entre Sérgio (Claudio Gabriel), Marcos (Marcelo Flores) e Ivan (Vladimir Brichta), que se conhecem há vinte anos. Os questionamentos se desenvolvem a partir de uma discussão sobre algo aparentemente sem importância, um quadro branco. É esse quadro que vai colorir de sentimentos a relação desses amigos, que são levados à reflexão de suas vidas, valores e da própria amizade.
De acordo com os atores, o tema serviu de motivação para se entregar inteiramente ao espetáculo, pois, mesmo concordando que o mundo contemporâneo é marcado por valores e relações superficiais, ainda acreditam nas relações de amizade.
“Acredito muito na amizade, que para mim é algo sagrado. Falar de valores hoje em dia é tarefa árdua, o que talvez nos faça eventualmente descrentes de relações de amizade. Tenho poucos e bons amigos. Sou, no entanto, absolutamente descrente dessas amizades de sites de relacionamentos. A peça fala de laços profundos, o que me interessa abordar”, comenta Vladimir.
Claudio Gabriel acrescenta que, para ele, amigo não tem data, hora ou lugar, tampouco credo, cor ou classe social. Embora o ator tenha muitos colegas e amigos nas redes sociais, acredita que os verdadeiros são poucos.
“A amizade plena é uma das coisas mais belas nas relações humanas. Não é de hoje que o homem é individualista. Temos que saber reconhecer um amigo de verdade e isso é totalmente possível nos dias de hoje. Ainda bem!”, afirma Claudio.
Para Marcelo, amizade também é coisa séria. A bem da verdade é tão séria, que sua esposa era, antes do romance, uma grande amiga.
“A amizade para mim é um dos mais belos nomes do amor e um dos maiores valores que cultivo na vida. Sou filho único e por isso sempre vivi em turmas. Me casei com uma amiga, a atriz Alethea Novaes, e fundei com ela uma companhia de teatro criada com outros amigos, colegas de faculdade”, explica.
O ator Vladimir Brichta assistiu a uma montagem do espetáculo Arte em Buenos Aires, em 2010.Encantou-se com a peça, que já havia lido, e com o trabalho dos atores, especialmente de Ricardo Darin, por quem tem profunda admiração. Entre os pontos que chamaram sua atenção, ele destaca a capacidade de comunicação da peça, o humor rápido e inteligente, além do aspecto emocional.
De acordo com Vladimir, o fato da peça ter sido montada e premiada em tantos países - inclusive nos mais expressivos centros de teatro do mundo como Paris, Londres e Nova Iorque - aumenta a expectativa em relação à estreia, mesmo acreditando no trabalho que estão desenvolvendo.
“Partimos da premissa de que a peça é um acerto e cabe a nós fazer isso se repetir. Estamos praticamente prontos, mas teatro só mesmo com o público para termos a sensação de realização. Como a peça é uma comédia, a presença e o riso do público é mais do que necessário e, claro, esperado”.

Os atores e a arte
Vladimir teve o primeiro contato com arte na infância, na Alemanha, vendo teatro e apresentação de mímica no jardim de infância. Nesse momento, começou o encantamento.
“Lembro claramente do meu encanto, como se a possibilidade de fazer do faz de conta um meio para se comunicar com o mundo fizesse todo sentido que eu precisava. Desde então, sonhei em fazer o mesmo”, recorda.
Com Claudio, não foi diferente. Desde criança, sempre desenhou com certa desenvoltura. O pai e o irmão mais velho eram arquitetos. Portanto, o desenho técnico era muito presente em casa. Nas horas de lazer, o desenho à mão livre imperava.
Depois do desenho, já na adolescência, foi a vez da música. Participou de bandas de rock e logo entrou para um grupo de teatro amador no SESC Tijuca. Agora, comemora seus vinte anos de profissão.
Para Marcelo, arte é criação, fantasia, beleza, uma lupa, um microscópio, um espelho, um lugar onde o ser humano se reconhece. Na vida dele, a arte teve esse papel, pois foi uma descoberta e, ao mesmo tempo, uma redescoberta.
“Quando comecei a estudar teatro, um mundo se abriu e ao mesmo tempo reconheci que ele sempre esteve em mim. O encontro foi um reencontro”, explicou Marcelo, que acredita no teatro com inteligência e humor que provoque reflexão e transformação, sem ser didático ou hermético.
Vladimir considera a chance de repensar e experimentar a realidade, tornando-a menos cruel e dura, o grande barato da arte teatral. De acordo com o ator, fazer as pessoas reconsiderarem suas realidades é um estímulo valioso.
Já Claudio afirma que o teatro é o que liga o homem ao mundo, de uma maneira alternativa, através de percepções sensoriais. Fazer parte disso, para o ator, é algo especial.
“O teatro representa o que me move na vida, o caminho que escolhi trilhar. Poder ser alguém que interfere e influencia na vida de outras pessoas, provocando o pensamento, o debate, é muito gratificante”, orgulha-se.
Serviço:
O Teatro Leblon
Rua Conde Bernadotte, nº 26, Leblon, Rio de Janeiro. 
Temporada: Até 15 de julho. Quinta a sábado, às 21 horas, e domingo, às 20h. 
Ingressos: Quintas R$ 50/ Sextas e domingos R$ 60/ Sábados R$ 70. Duração: 90 minutos. Mais informações pelo telefone 2529-7700.

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