sexta-feira, 10 de agosto de 2012

TEATRO: A Descoberta das Américas com Júlio Adrião - RJ


De volta no Teatro Serrador no mês de Agosto de 13 a 18 de Agosto A DESCOBERTA DAS AMÉRICAS


Histórico:

A Descoberta das Américas

Em cartaz desde 2005, Julio Adrião volta ao Rio com premiado monólogo

Há seis anos, a viagem de Julio Adrião começa da mesma forma: sozinho sobre o palco, sem qualquer cenário ou adereço, ele leva o público consigo numa caravela em direção ao Novo Mundo, tendo como únicos recursos narrativos o gestual e a própria voz. Aos poucos, a plateia embarca nas aventuras do fugitivo da Inquisição Johan Padan e logo se entrega ao exercício de imaginação proposto por Dario Fo em “A Descoberta das Américas”. 

A montagem, que rendeu a Adrião o Prêmio Shell de Melhor Ator em 2005, além de frequentes convites para apresentações em festivais dentro e fora do Brasilvolta ao Rio a partir da próxima segunda-feira, no Teatro Serrador, onde permanece até 18 de agosto. “Voltar ao Rio é mais que um prazer, é um dever para com todos que fizeram esse trabalho deslanchar em 2005”, comenta o ator

"Foi aqui que tudo começou e recebo muitos pedidos para voltar à cidade.", afirma o ator, que não imaginava a proporção que o monólogo poderia atingir, ao estreá-lo em 2005: "Sabíamos que tínhamos um espetáculo que iria agradar algumas pessoas, mas ficar 6 anos ininterruptamente, fazer mais de 400 apresentações para mais de 250 mil pessoas em 22 estados do Brasil e mais Portugal, Cabo Verde... Isso jamais poderia ter sido planejado.
É uma dádiva".

Adrião acredita que a longevidade de seu solo narrativo se deve a fatores que transcendem a sua aparente simplicidade cênica ou a comunicação imediata com o público. “O fato de contarmos uma história tão radicalmente pertinente à nossa, de maneira irônica e crítica, em chave cômica, é sem dúvida um fator relevante à sua aceitação em todos os lugares por onde passamos”, opina o ator, para quem “a arte é um trabalho que dá trabalho”: “Digo sempre aos meus alunos que se puderem fazer outra coisa da vida, que façam, pois viver da arte é um compromisso arriscado e penoso. Para viver da arte, é preciso torná-la parte da vida das pessoas, e isso dá trabalho”.


Tendo apresentado a performance mais de 400 vezes, inclusive em festivais como como o Mito e o Fitei, em Portugal, e o MindelAct, em Cabo Verde, Julio Adrião diz que sua maior motivação ao subir ao palco é nunca repetir, mas sempre refazer o espetáculo: “Tenho uma responsabilidade enorme de justificar o investimento de cada pessoa que sai de casa para assistir pela primeira ou pela enésima vez. Minha meta é que a pessoa saia pensando: ‘Ainda bem que vim hoje, pois duvido que amanhã ele faça assim’".

SERVIÇO:
A DESCOBERTA DAS AMERICAS
Com Julio Adrião
Teatro Serrador

13 a 18 de Agosto 
19h!
Ingressos: 
R$ 20,00 inteira
R$ 10,00 meia 
R$ 5,00 classe artísticas com comprovação
Classificação indicativa: 14 anos.


ENTREVISTA COM JÚLIO ADRIÃO




Julio Adrião

Ator traz sua premiada encenação de 'A Descoberta das Américas' ao Teatro Glauce Rocha

Diante da platéia, apenas um ator sobre o palco nu. Um instante de silêncio e Julio Adrião desfralda, com gestos e a voz, as velas de uma caravela espanhola imaginária. No minuto seguinte, o público embarca na viagem de Cristóvão Colombo rumo ao Novo Mundo, acompanhando o personagem Johan, um sagaz fugitivo da inquisição, que conta apenas com sua esperteza para se livrar dos perigos das terras recém-descobertas. Finda sua maratona de peripécias, uma hora e meia depois, e Adrião continua só sobre o palco, enxugando o suor do rosto e tentando recuperar a respiração ao som dos longos aplausos do público. É assim desde 2005, quando o ator assumiu o desafio de montar de forma solitária e sem qualquer elemento cênico “A Descoberta das Américas”, texto de Dario Fo que lhe rendeu o Prêmio Shell de Melhor Ator em 2005, e com o qual vem se apresentando de forma regular dentro e fora do Brasil.

A montagem, dirigida por Alessandra Vanucci, acaba de voltar de Portugal, onde foi apresentada no Fitei, Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica, na cidade de Oeiras, e volta ao Rio para duas apresentações, hoje e amanhã, no Teatro Glauce Rocha, encerrando a ocupação do espaço feita pelo Teatro de Anônimo. Nesta entrevista exclusiva, Julio Adrião fala sobre a longevidade do espetáculo, como é encená-lo para o público de outros países e como foi a experiência de participar de “Tropa de Elite 2”, o filme brasileiro com a maior bilheteria da história, no qual ele interpreta o governador Gelino.

Como foi levar ‘A descoberta das Américas’ para o público de Portugal? Houve alguma adaptação no texto? E qual foi a relação dos espectadores à sua construção da figura do descobridor?
 
Não fiz nenhuma mudança ou concessão em Portugal. Fiz o espetáculo na íntegra, falando exatamente o mesmo texto do mesmo modo que no Brasil. No Festival de Oeiras, em 2009, o Mito, fui aplaudido por dez minutos ininterruptos tendo que voltar ao palco três vezes para agradecer. O público está habituado a ouvir nosso sotaque por conta das novelas e essa primeira ida acabou abrindo de vez as portas para Portugal onde estive novamente este ano no Fitei, no Porto, tendo igualmente excelente recepção, assim como nas cidades de Guarda, Bragança e Santiago de Compostela, na Galícia, onde o português também é bem falado.

Já tem data para as apresentações em outros países losófonos, como Cabo Verde, Angola e Moçambique? Nos festivais de teatro, você já teve contato com os espectadores desses países? Eles apontam semelhanças entre os processos de colonização no Brasil e das outras ex-colônias?
 
Estive no Festival MindelAct, em Cabo Verde este ano. Tivemos também excelente recepção, com solicitação para voltarmos para fazer oficinas de narrativa, e fomos novamente convidados para irmos em 2011 a Moçambique e Angola, onde já temos boa relação com as companhias locais que conhecemos em Portugal e Cabo Verde. A identificação pela colonização é forte e a aceitação do espetáculo maior ainda. Não vejo a hora de ir a estes países.

Como sua encenação depende, basicamente, do ator, a peça é mais fácil de ser montada. Acha que, de modo geral, o teatro vem se tornando muito oneroso, com grandes produções que dependem de patrocínios, e, por conta disso, está ficando menos acessível ao público? Os profissionais do teatro estariam se afastando da essência de sua arte?
 
Costumo dizer que, se a moda pega, terei que fazer as contas com os cenógrafos, iluminadores, figurinistas e atores desempregados. Na realidade, identifico alguns fatores para a longevidade do espetáculo além do fato de sua aparente simplicidade cênica e sua uma equipe reduzida. O fato de contarmos uma história tão radicalmente pertinente à nossa, de maneira irônica e crítica, em chave cômica, é sem dúvida um fator relevante à sua aceitação em todos os lugares por onde passamos. O fato de ser um fato histórico revisitado abre também portas em setores como universidades, escolas, congressos de professores e feiras de literatura, espaços estes nem sempre abertos a outros espetáculos, com maior estrutura etc... A facilidade de montagem e apresentação em quase qualquer lugar também facilitou essa longevidade. E o boca a boca foi fundamental desde o início. Não sendo eu um rosto conhecido pela televisão, esta divulgação foi um diferencial. Acho que todo ator ou atriz deveria fazer um solo narrativo. É um exercício de liberdade e responsabilidade onde o ele vai poder exercitar todo seu acervo de conhecimento, sua técnica e seu poder de comunicação. Fazer um espetáculo 400 vezes é uma dádiva. Eu quero fazer a descoberta por 20 anos, e ver o que e por que muda...

Achava que uma proposta audaciosa como a encenação do texto de Dario Fo poderia lhe render o Prêmio Shell? E qual foi o impacto deste prêmio na sua carreira?
Apesar de sabermos que tínhamos uma grande história em mãos, o sucesso de público e crítica superou todas as expectativas. O Prêmio Shell foi o certificado de garantia de qualidade que, juntamente com as críticas de Bárbara Heliodora do “Globo”, Macksen Luiz e Fausto Wolff, do “JB”, além das críticas do “Estadão”, “Folha de São Paulo” e revista “Bravo”, alavancaram a carreira do espetáculo e a curiosidade do público, dando um fôlego diferenciado logo no primeiro ano de trabalho. Isso propiciou uma mudança radical, não só na carreira do espetáculo, como na minha vida, pois passei do quase total anonimato de quase 20 anos de trabalho no teatro, para um assédio grande por parte de produtores de teatro, TV e cinema. Curiosamente, esta mesma longevidade só aconteceu por eu ter recusado a grande maioria dos convites, o que acabou me jogando novamente num certo esquecimento por parte desses mesmos realizadores que passaram a pensar algo como: “Não adianta chamar porque ele não tem tempo". Aproveito para dizer que tenho tempo sim!

Este ano você participou do longa 'Tropa de Elite 2', que se tornou o filme de maior bilheteria do cinema nacional. Acha que o sucesso do filme pode criar um novo parâmetro para o cinema brasileiro? O seu personagem, o governador Gelino, personifica a ligação do crime organizado com a política. Para você, o filme despertou a consciência da população em relação a este tipo de questão? 

“Tropa de Elite 2”, assim como seu antecessor, são grandes filmes que marcam uma mudança na produção nacional. Cinema de alto nível técnico, com roteiro e direção muito afinados e excelentes atores. Uma realização de rara felicidade pois, especialmente no momento que vive nosso país, consegue traçar um paralelo fortíssimo com a realidade sem se tornar um documentário. Narrativa de fôlego que sem dúvida fez o brasileiro pensar. O que ele proporciona é uma reflexão inevitável e acende um desejo de um país mais justo e menos desigual. Daí a propiciar reais mudanças é outra história. A missão do filme foi dar uma sacudida nas pessoas, e isso ele deu.

Você tem projetos para teatro, cinema ou TV para 2011?
 
Estou envolvido em alguns projetos desde o ano passado que deverão ter continuidade em 2011 e 2012. Estou participando de um projeto transmídia da produtora de cinema Matizar, onde uma das mídias exploradas é o teatro de rua. Eu coordeno essa parte junto com o ator e produtor João Carlos Artigos, do Teatro de Anônimo. Estamos trabalhando com três companhias de teatro de rua. Uma de Brasília (Circo Teatro Artetude), uma de Passo Fundo (RS) (Cia Timbre de Galo) e outra de Fortaleza (Cia Bagaceira), que desenvolvem seus espetáculos sobre temas dados por esse projeto, que se chama "Por que a gente é assim?". Fora isso, tenho sido convidado para dirigir espetáculos e estou analisando essas possibilidades, pois isso me interessa. Farei também um episódio de programa de rádio para a BBC de Londres, estilo novela de rádio em apenas um capítulo. Fui convidado pela facilidade com a língua e aceitei porque gostei da idéeia. Apesar de não ter aproveitado a enxurrada de editais para inscrever ideias minhas, estou esperançoso de ser convidado para projetos, principalmente no cinema, que é uma arte de atuação bastante distinta do teatro e onde desejo me aprofundar. TV será sempre bem-vinda desde que eu goste da ideia e tenha o tempo para me dedicar de fato, até por que não tenho nenhuma experiência e não gosto de fazer as coisas pela metade.

Um comentário:

  1. Maravilha!
    Este blog é muito bom, presta um serviço a nossa comunidade incrível.
    Já sabe do FILTE? http://deanomundo.blogspot.com.br/2012/08/esquentando-vai-comecar-o-filte.html

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