domingo, 24 de novembro de 2013

CINEMA: CCBB promove Mostra Itinerante de Cinema Japonês - RJ


CCBB apresenta Mostra Itinerante de Cinema Japonês, produzida por Mikio Naruse
Naruse atrai a atenção do público com roteiros simples e produções de baixo custo

O Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB) promove retrospectiva da Mostra Itinerante de Cinema Japonês, de Mikio Naruse. A série que teve estreia em Recife seguiu por várias cidades do país. Agora é a vez de Brasília receber as criações do renomado cineasta japonês. São 13 filmes que mostram os dramas do universo feminino em conjunto com a família e a sociedade.

Naruse atrai a atenção do público com roteiros simples e produções de baixo custo. Entre os principais longas estão Vida de Casado (Meshi-1951), Mamãe (Okaasan-1952), Nuvens Flutuantes (Ukiogumo-1955) e Quando a Mulher Sobe a Escada (Onna ga kaidan wo agaru toki-1960).

SINOPSES:


A CHEGADA DO OUTONO


(1960, P&B, 80 min, 35mm, 10 anos)
Uma viúva recente, Shigeko, vai à casa de seu irmão em Tóquio com seu filho, que estudava na sexta série, Hideo. Shigeko arranjou para que Hideo vivesse com seu irmão e foje com um homem deixando o filho pra traz. Abandonado pela mãe, Hideo se sente sozinho e tendo crescido no campo, não consegue se acostumar com a vida na cidade, até que acaba fazendo amizade com Junko uma aluna da quarta série.

Observações:
A Chegada do Outono é o único filme de Mikio Naruse que trata exclusivamente da vida de crianças. Naruse retrata de forma excelente o ambiente das antigas áreas ‘shitamachi’ de Tóquio e as mudanças que ocorriam nessas áreas com o crescimento da cidade. O personagem de Hideo, o garotinho da história, parece ser o retrato do próprio Naruse e o abandono que sentiu por sua própria mãe.


ATORES ITINERANTES
(1940, P&B, 71 min, 35mm, 10 anos)
Um grupo de atores de kabuki viaja de cidade em cidade fazendo seu show de comédia sobre um cavalo e seu mestre. A história gira em torno de dois atores que “interpretam” as pernas dianteiras e traseiras de um cavalo. O ator que interpreta as pernas dianteiras, Hyoruku é um veterano e se orgulha disso. Porém o barbeiro do município enganado pelo diretor do grupo, acaba destruindo a fantasia de cavalo, cuja cabeça, ao ser reconstruída, passa a parecer a de uma raposa. Quando Hyoroku descobre sobre a cabeça refeita, ele se recusa a participar da peça.



CHUVA REPENTINA

(1956, P&B, 92 min, 35mm, 10 anos)
Ryotaro Namiki e sua esposa Fumiko vivem em uma área residencial de Tóquio. Ryotaro trabalha em uma empresa de cosméticos no centro da cidade. Como suas vidas são monótonas, eles vivem de pirraça um com o outro. Ryotaro reprime Fumiko por sempre cortar as receitas do jornal antes mesmo de ele ter lido. Fumiko o atormenta por ser tão insensível. Eles são incapazes de concordarem com alguma coisa até mesmo fazer os planos para o domingo à tarde e Ryotaro sai sem Fumiko.

Observações:
Chuva Repentina é baseada na peça Balão de Papel (1926), escrita por um dos principais dramaturgos modernos do Japão, Kunio Kishida. Seus protagonistas são mulheres presas pelas circunstâncias ou pela sociedade.


CORRENTEZA
(1956, P&B, 117 min, 35mm, 10 anos)
Rika consegue um trabalho de empregada doméstica na casa de gueixas Tsutanoya no bairro gay. Logo ao chegar ao local a dona do estabelecimento Tsutayakko troca o nome dela para Oharu pelo simples fato de achar o nome complicado de se chamar. Rika passa a morar e trabalhar no Tsutanoya, porém tudo começa a indicar que o estabelecimento não vai bem.

Observações:
Baseado na obra ganhadora do prêmio da Academia de Arte do Japão e primeiro romance de Aya Koda (1904-), filha de Koda Rohan, grande romancista do período Meiji. Neste filme, mostra-se o incomum interior de uma casa de gueixas visto através dos olhos de uma empregada doméstica.



MAMÃE

(1952, P&B, 98 min, 35mm, 10 anos)
A família Fukuhara trabalha duro para se reerguer após a Segunda Guerra Mundial e finalmente consegue reabrir sua lavanderia e conta com a ajuda de Kimura um velho aprendiz de Ryosaku. Após as mortes seguidas do filho mais velho e do marido, do casamento da filha mais nova e da saída de Kimura da lavanderia, Masako tem que cuidar sozinha da loja. Toshiko, a filha mais velha que está com planos para se casar pergunta se a mãe é realmente feliz.

Observações:
Livremente baseado em uma coletânea de redações de estudantes do ensino fundamental sobre suas mães, “Mamãe” foca na imagem de uma mãe e sua família na tentativa de se recuperarem da destruição da Segunda Guerra Mundial. Trabalhando um retrato mais episódico e real de uma mãe japonesa comum e as lutas diárias que enfrenta em um período pós-guerra.


NUVENS DE VERÃO

(1958, Cor, 135 min, 35mm, 10 anos)
Yae, que perdeu seu marido na guerra, administra uma pequena fazenda com sua sogra, enquanto cria seu único filho, Tadashi. Já seu irmão mais velho Wasuke sofre com as atitudes modernistas de seus filhos, que pedem permissão somente depois do ocorrido. Yae conhece Okawa, um repórter agrícola que surge para entrevistá-lo sobre as recentes reformas agrícolas. Eles acabam iniciando um relacionamento mesmo sabendo que ele tem esposa e filho em Tóquio.

Observações:
Nuvens de Verão foi uma mudança de ritmo para o diretor Mikio Naruse. Conhecido por seus retratos da mulher da cidade, esse filme foi tanto seu primeiro esforço em descrever a vida na fazenda, quanto seu primeiro filme colorido. Adaptado do romance de um escritor líder de literatura camponesa, a história foca nas mudanças drásticas que ocorreram no pós-guerra na área rural do Japão, devido às duas forças de reforma agrária e alto crescimento econômico, que são refletidas na lacuna cada vez maior entre as gerações. No centro, entretanto, a figura de Naruse ainda continua a traçar friamente o período pós-guerra: uma mulher solteira em difíceis condições que a deixam continuamente presa.


NUVENS DISPERSAS

(1967, Cor, 108min, 35mm, 10 anos)
Eda Hiroshi, que trabalha em um escritório do governo, foi promovido e sua esposa, Yumiko está grávida. A felicidade do casal parece que irá durar para sempre, mas, um acidente de trânsito se torna fatal para o marido. Mishima Shiro, que causou o acidente, é inocentado já que o acidente estava fora de seu controle. Porém, ele é transferido para uma filial remota em Aomori. Yumiko por sua vez sofre com a morte do marido, a perda do filho e com o abandono dos sogros.


NUVENS FLUTUANTES


(1955, P&B, 124 min, 35mm, 10 anos)
Em 1943, no meio da Segunda Guerra Mundial, Yukiko Koda vai para a Indochina Francesa (hoje Vietnã), para trabalhar como uma datilógrafa. Lá ela conhece o engenheiro Tomioka, um homem casado, porém eles acabam tendo uma relação amorosa. Quando a guerra termina, ele volta para o Japão, prometendo a ela que se divorciaria. Acreditando na promessa dele, Yukiko retorna para casa um pouco mais tarde e descobre que ele não se divorciou. Daí em diante Yukiko e Tomioka vivem um relacionamento de separações e reconciliações até que ela fica gravemente doente.

Observações:
O filme mostra o ponto de vista de uma vida sofrida durante o período pós-guerra, quando ninguém poderia sonhar com o crescimento econômico do Japão. Além disso, a atriz principal Hideko Takamine recebeu o Prêmio de Melhor Atriz Protagonista do Mainichi Film Concours.


QUANDO A MULHER SOBE A ESCADA

(1960, P&B, 111 min, 35mm, 10 anos)
Keiko ficou viúva e é contratada em um bar no luxuoso bairro de casas noturnas de Ginza. O dono do bar, reclamando da baixa nas vendas, insiste para que ela venda seu corpo para manter os clientes que mais gastam, mas Keiko se recusa, mesmo se isso significar perder clientes. Sentindo-se pressionada, Keiko vai para outro bar, onde ela habilmente manipula os homens, tornando-se amante de todos, mas amante real de ninguém.

Observações:
Roteiro original com foco em uma mulher condenada por ser pega no interminável fluxo de um mundo cruel e manipulador. Ainda, apesar do mundo moderno da recepcionista do bar ser retratado mais como um mundo cão do que um mundo de uma gueixa caracterizado em antigos melodramas japoneses, Naruse não condena isso, mas mantém uma perspectiva fria e distante da labuta das mulheres.


TODA A FAMÍLIA TRABALHA

(1939, P&B, 65 min, 35mm, 10 anos)
Todo membro capaz da família Ishimura trabalha duro de manhã até à noite, mas, juntos, parece que nunca ganham dinheiro suficiente. Nessas condições, é uma surpresa quando Kiichi anuncia, uma noite, que quer sair de casa e ir para a escola para conseguir um diploma de eletricista. O pai entende a ideia do filho, mas também tem consciência de que assim que Kiichi for atrás de seus sonhos, seus outros filhos irão seguí-lo e toda a família irá desmoronar.

Observações:
Conhecido no período pós-guerra por seus retratos femininos, Naruse foi capaz de apresentar uma sólida representação dos potenciais problemas sociais em um momento com condições de censura cada vez mais militaristas do Japão, que ainda toma muito cuidado para delinear a turbulência psicológica dentro de cada um dos membros da família.


TORMENTO

(1964, P&B, 98 min, 35mm, 10 anos)
Tendo ficado viúva durante a guerra após apenas 6 meses de casamento, Reiko quase reconstrói sozinha a loja de bebidas da família do marido, após ter sido bombardeada. Dezoito anos depois, porém, sua loja e outros pequenos negócios estão perdendo concorrência para um novo supermercado no final da rua. Como se isso não fosse suficiente, Reiko precisa se esquivar das cunhadas que desejam se livrar dela, casando-a, além de tomar conta do violento cunhado mais novo, Koji.

Observações:
As histórias centradas nas lutas de uma cunhada oprimida pela família do marido eram temáticas centrais dos melodramas japoneses. Naruse, porém, produz um filme que tem um ponto de vista mais frio na observação das dinâmicas psicológicas de seus personagens femininos, perturbando ainda mais a estrutura moral tradicional ao introduzir o problema de amor entre uma cunhada e o irmão de seu marido. Yuzo Kayama, conhecido por seus protagonistas românticos e leves, é caracterizado aqui em um raro papel sério.



TSURUHACHI E TSURUJIRO

(1938, P&B, 89min, 35mm, 10 anos)
Apesar da pouca idade Tsuruhachi e Tsurujiro gozam de grande sucesso como artistas tradicionais (Shinnai) no final da época Taisho. Tsurujiro canta histórias poéticas ao som do shamisen tocado por Tsuruhachi. À vista dos outros, eles são muito próximos, correm até boatos de que são casados. No entanto, Tsuruhachi é filha de artista e Tsurujiro era pupilo de seus pais, os dois cresceram como irmãos, mas, nos bastidores, discutiam constantemente sobre pequenos pontos de atuação.

Observações:
Baseado em um premiado romance, Tsuruhachi e Tsurujiro faz parte de uma série de filmes que Naruse produziu no tempo das artes tradicionais, oferecendo um autêntico vislumbre do mundo de “yose” (tradicional espetáculo de variedades do Japão) ao incluir aparições de artistas yose reais.


VIDA DE CASADO

(1951, P&B, 97 min, 35mm, 10 anos)
Hatsunosuke Okamoto e sua esposa, Michiyo, mudaram-se de Tóquio para uma pequena casa em um modesto bairro de Osaka. Eles se casaram por amor, mas após cinco anos de casamento chega à fase de lassidão, qualquer coisa vira motivo para desentendimentos. E quando a sobrinha de Hatsunosuke, Satoko, foge de casa em Tóquio e aparece na sua porta, surgem verdadeiros problemas.

Observações:
A escrita dramática e refinada de Ide e a descrição precisa que Tanaka faz dos sentimentos mais íntimos de uma mulher se misturarem perfeitamente à poderosa linha psicológica do diretor, Mikio Naruse. “Vida de Casado” é um excelente exemplo da capacidade de Naruse em revelar a amargura que há por trás da vida cotidiana.


PROGRAMAÇÃO:
>> Dia 27, QUARTA
17h30min – Vida de casado (97’)
19h30min – Chuva repentina (92’)

>> Dia 28, QUINTA
17h30min – Toda a família trabalha (65’)
19h30min – Nuvens de verão (135’)

>> Dia 29, SEXTA
15h30min – Tormento (98’)
17h30min – Atores itinerantes (71’)
19h – Nuvens flutuantes (124’)

>> Dia 30, SÁBADO
18h – A chegada do outono (80’)
19h30min – Quando a mulher sobe a escada (111’)

>> Dia 1º, DOMINGO
17h – Mamãe (98’)
19h – Nuvens dispersas (108’)

>> Dia 02, SEGUNDA
17h30min – Tsuruhachi e Tsurujiro (89’)
19h30min – Correnteza (117’)

>> Dia 4, QUARTA
17h30min – Tormento (98’)
19h30min – Mamãe (98’)

>> Dia 5, QUINTA
17h30min – A chegada do outono (80’)
19h30min – Tsuruhachi e Tsurujiro (89’)

>> Dia 6, SEXTA
15h – Nuvens flutuantes (124’)
17h15min – Nuvens de verão (135’)
20h – Nuvens dispersas (108)

>> Dia 7, SÁBADO
17h30min – Chuva repentina (92’)
19h30min – Vida de casado (97’)

>> Dia 8, DOMINGO
16h30min – Correnteza (117’)
19h – Quando a mulher sobe a escada (111’)

>> Dia 9, SEGUNDA
17h30min – Atores itinerantes (71’)
19h30min – Toda a familia trabalha (65’)


SERVIÇO:
Mostra Itinerante de Cinema Japonês
CCBB
Rua Primeiro de Março, 66, Centro, Rio de Janeiro
Ingressos: Inteira R$ 4,00 meia-entrada R$ 2,00, por sessão.
Acesse CCBB RJ

Fonte

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