sábado, 11 de janeiro de 2014

MÚSICA: Chico Buarque comemora 50 anos de carreira e 70 de idade de Chico Buarque com Musical


Pode-se dizer que a carreira musical de Chico Buarque de Hollanda começou também no teatro. Aos 20 anos, com “Tem mais samba”, ele estreava na trilha sonora do musical “Balanço de Orfeu”, de Luiz Vergueiro, em 1964 (a mesma faixa estaria em seu primeiro LP, em 1966). 

Prestes a completar, portanto, 50 anos de carreira como compositor e, em 19 de junho, 70 anos de idade, Chico terá um 2014 um tanto cênico. Nesta quinta-feira, às 21h, os diretores Charles Möeller e Claudio Botelho abrem os festejos com a estreia de “Todos os musicais de Chico Buarque em 90 minutos”, no Teatro Clara Nunes. E, até o fim do ano, cinco grandes espetáculos, entre novas versões para antigos musicais e histórias inéditas, prestam tributo ao mais teatral dos compositores da música popular brasileira.

Em abril, João Fonseca dirige uma versão para “O grande circo místico”. Ainda neste primeiro semestre (mas sem mês definido), Gustavo Paso encena “Apesar de você”, um musical inspirado em Julinho da Adelaide, o famoso pseudônimo de Chico. Depois, em agosto, João Falcão assina uma nova montagem da “Ópera do malandro”, e Renato Aragão estreia no teatro com uma versão de “Os Saltimbancos Trapalhões”, prevista para outubro, sob a direção de Möeller e Botelho. E, até o fim do ano, Ruy Guerra remonta “Calabar”, a mais célebre das obras censuradas pela ditadura militar.

“Início, meio e fim”

Inventor de personagens célebres — Geni, o meu guri, entre outros —, além de tramas — como “Olhos nos olhos”, entre muitas outras — que podem ser consideradas dramaturgia em forma de música, Chico é um mestre da canção a serviço da narrativa. E foi essa percepção que inspirou Möeller e Botelho a criar um musical a partir de canções do compositor feitas estritamente para os palcos e as telas.

— Quando você analisa essas canções para teatro e cinema, essa dimensão dramatúrgica é ainda mais potencializada. Chico tem uma capacidade enorme de construir personagens e histórias absolutamente teatrais dentro de uma única canção — diz Möeller, citando como exemplo “Geni”. — Ela tem início, meio e fim, assim como tantas outras. São peças inteiras numa única música.

Com mais de 50 canções alinhavadas para compor a dramaturgia musical do espetáculo, cada faixa escolhida funciona como uma minipartícula de uma história maior. Após assinarem versões para clássicos como “Suburbano coração” (2002) e a própria “Ópera do malandro” (2003), Möeller e Botelho imaginaram uma saga diferente, guiada por uma trupe mambembe que circula pelo país e se vale das canções de Chico para narrar histórias de relacionamentos afetivos e artísticos entre seus integrantes.

Um deles, por exemplo, é o diretor da companhia, vivido por Botelho, que contracena com Soraya Ravenle (os dois já dividiram o palco em “Lupicínio e outros amores”, de 2004), além de Malu Rodrigues, Davi Guilhermme, Estrela Blanco, Felipe Tavolaro, Lilian Valeska e Renata Celidonio.
No fim, “Todos os musicais...” é uma “homenagem aos artistas mambembes e suas trupes, que viajavam com suas carroças e canastras (espécie de baús) e apresentavam peças populares, Shakespeare, Molière...”, diz Möeller.

Descoladas de suas dramaturgias originais, canções como “Tira as mãos de mim” e “Tatuagem” (de “Calabar”), “Teresinha” e “Pedaço de mim” (de “Ópera do Malandro”), “Basta um dia” (de “Gota d’água”) e “Sem fantasia” (de “Roda viva”), entre outras, emprestam sentido a outras tramas e personagens:

— Não revivemos os personagens das peças dele, são criações nossas que se valem dessa dramaturgia musicada.
A produtora Maria Siman também reserva seu presente a Chico, com a montagem de “O grande circo místico”. A peça musical composta para balé por Chico e Edu Lobo foi inspirada num poema de Jorge de Lima, e agora são as músicas e suas letras que servem de base a uma dramaturgia original assinada por Newton Moreno e Alessandro Toller. Com estreia prevista para abril, no Teatro Net Rio, e com direção de João Fonseca, a montagem traz Tiago Abravanel como o médico que se apaixona pela bailarina, vivida por Letícia Colin.


Desejo de três novas canções

Na história, um circo serve de alento à população de uma cidade abalada pela guerra.

— Não localizamos onde, mas é como se fosse nos anos 1940, ao fim da Segunda Guerra — diz a produtora. — Estamos conversando com Edu e Chico para ver se conseguimos três novas canções.

Logo após a temporada de “O grande circo místico”, o mesmo teatro recebe em agosto o novo projeto da produtora Andrea Alves e do diretor João Falcão, “Ópera do malandro”. Inspirado na “Ópera dos mendigos”, de John Gay, e na “Ópera dos três vinténs”, de Bertolt Brecht e Kurt Weill, o musical — encenado pela primeira vez em 1978 e depois transformado em filme — marca o segundo trabalho em conjunto do mesmo grupo de atores do musical “Gonzagão”, também de Falcão.

— É a continuidade de uma pesquisa sobre o musical brasileiro — diz Andrea.

Falcão, que encenou “Cambaio” (2001) e traz a musicalidade como elemento central no modo como constrói a cena, acredita que “Ópera...” reúne o melhor de Chico em cena:
— É um clássico, talvez a obra mais completa dele, em termos de personagens e desenvolvimento da dramaturgia. Fora que, musicalmente, é uma fase muito importante dele como compositor.

Diretor do longa “Ópera do malandro” (1986), Ruy Guerra levará à cena o emblemático “Calabar, o elogio da traição”, no segundo semestre. Escrito por Guerra em parceria com Chico, censurado na véspera da estreia, em 1973 — e só encenado em 1980, com uma montagem liberada pela censura —, o musical retorna ao Teatro João Caetano para dar a volta por cima na história.

— A ideia é partir do roteiro original — diz Guerra. — Ainda vou conversar com Chico se é o caso de inserir o episódio da censura em cena.

Já Gustavo Paso estreia ainda no primeiro semestre o musical “Apesar de você”, uma ficção livremente inspirada no pseudônimo Julinho da Adelaide, adotado por Chico nos anos de chumbo. Marcelo Serrado será o protagonista.


Fonte: O Globo


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