terça-feira, 7 de janeiro de 2014

TV: Eva Wilma comemora 80 anos de vida e 60 de carreira e afirma ter aprendido a ‘conviver com a velhice’


Atriz estreia no Rio a peça ‘Azul resplendor’, em 9 de janeiro

Um retrato de uma pequena bailarina, na ponta dos pés, sorridente, traz como dedicatória aos pais: “Esperando ser brilhante em minha carreira, deixo aqui uma recordação do início desta. Eva Wilma Riefle. 1942.” A menina, então com 9 anos, só não imaginava que em vez de bailarina seria atriz. 

Com 80 anos de vida completados hoje, e aos 60 de carreira, Eva Wilma, ou Vivinha, como é chamada por amigos, diverte-se lembrando da fotografia e chama de “cabotinismo” sua premonição acertada de infância. Em seis décadas da sonhada brilhante carreira, foram mais de 40 trabalhos na TV, 36 peças e 24 filmes.

O duplo aniversário é comemorado no palco, com “Azul resplendor”, texto do dramaturgo peruano Eduardo Adrianzén, dirigido por Renato Borghi e Elcio Nogueira Seixas. Eva interpreta Blanca Estela, dama do teatro que abandonou a carreira há 30 anos e decide voltar à ativa ao receber um convite de seu mais devotado fã, o ator frustrado Tito Tápia (Renato Borghi). Após temporada em São Paulo, o espetáculo estreia no Rio em 9 de janeiro, no Teatro Sesc Ginástico.

Atriz de personagens marcantes — das gêmeas Ruth e Raquel na versão original de “Mulheres de areia” (TV Tupi, 1974) à Dona Altiva, de “A indomada” (Globo, 1997) —, Eva diz não conseguir imaginar que papéis ainda quer representar. Sua personagem dos sonhos, afirma, é a que está fazendo agora, em “Azul resplendor”.

— O texto é apaixonante. Coloca em cena três gerações. Todos os personagens falam das artes cênicas com humor crítico — diz Eva, ponderando que o autor também trata da finitude da vida, tema que esteve presente em outros dois trabalhos marcantes no teatro: “O manifesto”, de Brian Clark, de 2007, e “Querida mamãe”, de Maria Adelaide Amaral, encenada em 1994.

É com leveza que a atriz reflete sobre a finitude da vida. Sem melancolia, Eva brinca que adora quando sai às ruas sem maquiagem e alguém diz que ela continua “bonitinha”. Ao mesmo tempo, sabe que a imagem é parte de seu ofício e conta ter se preparado com cuidado para receber O GLOBO em sua casa, em São Paulo:
— É preciso aceitar a velhice. O segredo para conviver com ela eu já meio que saquei: é conviver bem com as perdas e com as limitações.


Anos dourados
Diretor e colega de cena em “Azul resplendor”, Borghi lembra que Eva fez delicada operação no quadril em fevereiro. Em maio já estava ensaiando, de bengala. É o primeiro trabalho dos dois, mas Borghi já acompanhava a atriz como espectador. Perdeu a conta de quantas vezes a viu em “Black out”, de 1967, dirigida por Antunes Filho.

— Eva é uma força da natureza, com grande disposição de trabalho e sensibilidade. Geralmente, estrelas têm espinhos. Eva, não — define Borghi.

A “disposição” de Eva foi traduzida, ao longo dos últimos 60 anos, em contratos no cinema, na TV e no teatro. Foi justamente a quantidade de portas abertas que encontrou como atriz que a fez desistir do antigo sonho de ser bailarina. Em 1953, já dançarina do Balé do IV Centenário, abriu mão da vaga de primeira estagiária da companhia para mudar definitivamente de ramo.

— Estávamos entrando nos anos dourados. A Vera Cruz surgia com muito brilho. Um dos meus pretendentes, formado em advocacia, já trabalhava como ator, estava filmando e me convidou para assistir. Fui lá, e me deram uma cena com uma falinha. Ao mesmo tempo, fui ver os ensaios do Teatro de Arena, do Zé Renato, e ele perguntou se eu queria experimentar. Experimentei, e ele falou: “Vai dar certo, viu?”. Era frequentadora do Teatro Brasileiro de Comédia e, depois das peças, ficava no Nick Bar, fingindo que tomava alguma coisa, para ver os atores. Um dia, o Renato Consorte disse que Cassiano Gabus Mendes precisava falar comigo. Era para fazer “Namorados de São Paulo”, que se transformou em “Alô doçura” — lembra Eva, sobre um dos primeiros seriados da TV brasileira, no qual contracenou com seu primeiro marido e pai de seus dois filhos, John Herbert.

A biógrafa da atriz, Edla van Steen, lembra que Eva e Herbert, já casados, foram à falência nos anos 1960, quando a peça “Rapazes da banda”, produzida por ele, foi proibida pela censura.

— Para pagar os salários de todos, não restou ao casal alternativa: vender sua casa e honrar os compromissos. Eva não se deixou abater. É de uma dedicação à toda prova. Depois que Carlos Zara, sua grande paixão (com quem foi casada entre 1979 e 2002), morreu, escrevi para ela um espetáculo, “Primeira pessoa” (2004), para que se despedisse do marido — conta Edla, lembrando que, certa noite, Eva mudou o texto e, em vez de dizer “adeus, amor, adeus”, soltou “adeus, amor, até breve”.

Para Luiz Fernando Carvalho, diretor de “Os maias”, Eva “ergueu um universo sempre emocionante e coerente com seu talento”:
— Ela depurou todos os seus sentidos e sua sensibilidade de atriz com o passar das experiências de vida, dos trabalhos, mas, principalmente, pelos ensinamentos que soube colher do tempo.


FONTE: O Globo


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